Notícias

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ENTREVISTAS

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Entrevista com a fonoaudióloga Dra Cíntia Alves Salgado Azoni e o neuropsicólogo Ricardo Franco de Lima sobre a dislexia

Entrevista com a Dra Sylvia Maria Ciasca sobre dificuldades de aprendizagem

Entrevista com a Dra Sônia das Dores Rodrigues sobre Discalculia.

Link:

http://eptv.globo.com/emc/VID,0,1,46815;1,disturbio+impede+que+crianca+resolva+contas+matematicas+simples.aspx

 

 http://www.tvb.com.br/videos/?v=6137

Entrevista sobre disgrafia com Dra Sylvia Maria Ciasca

Parte da entrevista da psicóloga Márcia Maria Toledo (Mix Mulher 18 de maio)

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CONGRESSOS

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2012

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Apresentações de trabalhos da equipe no XX Congreso Anual de la Academia Iberoamericana de Neurología Pediátrica (AINP) em Punta del Leste.

http://www.ainppuntadeleste2012.org/

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Apresentações de trabalhos na 63rd Annual IDA Conference: reading, literacy and learning em Baltimore – USA.

http://www.interdys.org/63rdAnnualConference.htm

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Apresentação de trabalho na 2ª Mostra Nacional de Práticas em Psicologia – São Paulo

http://mostra.cfp.org.br/

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Prêmios

  • 1º lugar de apresentação oral de trabalho científico no IX Congresso Brasileiro de Psicopedagogia (ABPp) e I Simpósio Internacional de Neurociências, Saúde Mental e Educação – CEPP

Título: Habilidades psicomotoras e dificuldade de aprendizagem: análise de crianças com diagnóstico de DE, DA e TDAH

Autoras: Mariana Coelho Carvalho, Sônia das Dores Rodrigues

  • 2º lugar de apresentação oral de trabalho científico no IX Congresso Brasileiro de Psicopedagogia (ABPp) e I Simpósio Internacional de Neurociências, Saúde Mental e Educação – CEPP

Título:  Intervenção psicopedagógica sob enfoque fonovisuoarticulatório em criancas de risco para dislexia

Autoras: Isabella Heinemann e Cíntia Alves Salgado Azoni

  • Seminário dos Cursos de Aprimoramento – Faculdade de Ciências Médicas – Unicamp

Título: Antecedentes familiais de crianças com dificuldades de aprendizagem, dislexia e TDAH

Autoras: Ana Paula Lacerda, Sônia das Dores Rodrigues, Sylvia Maria Ciasca

  • I Congresso Mineiro de Neuropsicologia (Prêmio Normam Geschwind)

Título: Estudo comparativo quanto à atenção e funcionamento executivo em crianças com dislexia e  crianças sem dificuldades escolares

Autores:  Ricardo Franco de Lima, Cíntia Alves Salgado Azoni e Sylvia Maria Ciasca

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2011 

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Dra Cíntia Alves Salgado-Azoni (fonoaudióloga) e Dra Sônia das Dores  Rodrigues (psicopedagoga) receberam o titulo de “Psicomotricista” após apresentarem suas pesquisas em Congresso de Psicomotricidade em Paris (França).

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2010

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1º CONGRESSO NACIONAL DE PSICOMOTRICIDADE – LISBOA

Parte da equipe do DISAPRE composta pela Coordenadora Profª Dra Sylvia Maria Ciasca, Dra Márcia Maria Toledo, Dra Sônia das Dores Rodrigues e Dra Cìntia Alves Salgado participou do 1º Congresso Nacional de Psicomotricidade realizado pela Associação Portuguesa de Psicomotricidade. O Congresso ocorreu entre os dias 13 e 15 de maio de 2010 em Lisboa (Portugal). Foram apresentados trabalhos de pesquisa desenvolvidos pelo grupo nas áreas da Psicomotricidade e das Dificuldades de Aprendizagem.

Trabalhos

  • Mesa: Novas Perspectivas na Avaliação e Diagnóstico dos Problemas Psicomotores
  • Achados neuropsicológicos, fonoaudiológico e psicomotores em crianças com dislexia do desenvolvimento (Sylvia Maria Ciasca; Cíntia Alves Salgado; Sonia das Dores Rodrigues; Márcia Maria Toledo; Ricardo Franco de Lima)
  • Avaliação psicomotora e da percepção visual em crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Dislexia do Desenvolvimento (Sylvia Maria Ciasca, Cintia Alves Salgado, Daniella de Moura Pereira Robbi, Márcia Maria Toledo, Sonia das Dores Rodrigues)
  • Disgrafia do desenvolvimento: Perfil psicomotor de crianças com e sem disturbio da aprendizagem (Sonia das Dores Rodrigues, Renata Parada, Sylvia Maria Ciasca; Cíntia Alves Salgado; Márcia Maria Toledo)

Informações a respeito do Congresso no site: http://www.congressonacionaldepsicomotricidade.com/inicio.html  

O trabalho “Achados neuropsicológicos, fonoaudiológico e psicomotores em crianças com dislexia do desenvolvimento(Sylvia Maria Ciasca; Cíntia Alves Salgado; Sonia das Dores Rodrigues; Márcia Maria Toledo; Ricardo Franco de Lima) ganhou Menção Honrosa do Prêmio Pedro Soares Onofre.

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2009

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60th ANNUAL CONFERENCE – INTERNATIONAL DYSLEXIA ASSOCIATION

Em novembro a fonoaudióloga Dra Cíntia Alves Salgado e o neuropsicólogo Ricardo Franco de Lima participaram da 60th Annual Conference da International Dyslexia Association, realizada na Flórida (EUA). A Dra Cíntia apresentou a pesquisa desenvolvida em seu doutorado a respeito da remediação fonológica de crianças com Dislexia do Desenvolvimento.  http://www.interdys.org/index.htm

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2008

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VI CONGRESSO DA SOCIEDAD DE NEUROPSICOLOGÍA DE ARGENTINA

Em julho de 2008 a equipe do DISAPRE participou do VII Congresso da Sociedad de Neuropsicología da Argentina (SONEPSA). O evento foi realizado em Buenos Aires e contou com renomados pesquisadores na área da neuropsicologia. No total, foram apresentados 24 trabalhos de pesquisa desenvolvidos no Laboratório DISAPRE – UNICAMP. A relação dos trabalhos pode ser visualizada abaixo:

  • Assesment of Memory and Attention of Children with Learning Difficulties Complains (I. V. Capelatto, P. M. Guimarães, S. M.Ciasca)
  • Symptoms of Attention Deficit Hyperactivity Disorder in patients in conflict with the law: parents’ report (C. Moraes, K. P. Fedichina, C. Abujadi,S. M. Ciasca)
  • Impact of Preterm Birth and Low Birth Weight on the Neuropsychological Functions of Brazilian School-Age Children (T. I. Riechi, M. L. Moura-Ribeiro, S. M.Ciasca, T. M. Marba)
  • Impact of Preterm Birth on the Neuropsychological Functions (T. I. Riechi, M. L. Moura-Ribeiro, S. M.Ciasca, T. M. Marba, M. M. Carvalho)
  • Pharmacologic Treatment Algorithm of Attention Deficit/Hyperactivity Disorder (S. M. Ciasca, C. Moraes)
  • Cortical functions in Children with TDA/H: Language (S. M. Ciasca, P. Crenitte)
  • Neuropsychological Findings in Attention Deficit Hyperactivity Disorder Subtypes (S. M. Ciasca, M. M. Toledo)
  • Dyslexia and Attention/Hyperactivity Deficit Disorder (S. M. Ciasca, S. Capellini)
  • The Use of Artificial Neuronal Network in Diagnostic of ADHD Disorder and its Subtypes in Childen (G. Santos, M. M. Toledo, E.Galembeck, S. M. Ciasca)
  • The Neuropsychological and Neuroimaging Evaluations in Children with Dyslexia (S. M. Ciasca, M.I.C Moraes, S.Capellini)  
  • Praxias and Gnosias (S. M. Ciasca, M. M. Tabaquim)
  • The Brains and the Mathematics (S. M. Ciasca, J. Bastos)
  • Neuropsychological and Phonoaudiological Findings in Developmental Dyslexic Children’s at the Hospital of Clinics – UNICAMP/Brazil (C. A. Salgado, R. F. Lima, S. Ciasca ) Link: http://www.slan.org/2010/05/neuropsychological-and-phonoaudiological-findings-in-developmental-dyslexic-children-at-the-hospital-de-clinicas-unicamp-brazil/
  • The neuropsychologia of the visual attention in children with developmental dyslexia (C. A. Salgado, R. F. Lima, S. Ciasca)  Link: http://www.slan.org/2010/05/the-neuropsychologia-of-the-visual-attention-in-children-with-developmental-dyslexia/
  •  The Relationship between rapid automatized naming Test and Stroop in Children with Dyslexic of Development  (C. A. Salgado, R. F. Lima, S. Ciasca)  Link: http://www.slan.org/2010/05/the-relationship-between-rapid-automatized-naming-test-and-stroop-in-children-with-developmental-dyslexia/
  • Survey of depressive and mannering symptoms in children with Developmental Dyslexia (C. A. Salgado, R. F. Lima, C. Moraes, S Ciasca)  Link: http://www.slan.org/2010/05/survey-of-depressive-and-mannering-symptoms-in-children-with-developmental-dyslexia/
  • Neurological Evaluation in Children with Attention Deficit Hyperactivity Disorder  (M. C. Oliveira, M. C. Morais, S. Ciasca)
  • Comparisons and Evaluation of Memory Working Components for Visual and Verbal Material in Children with Attention Deficit and Hyperactive Disorder and With Learning Disability (T. D. Ferreira, S. Ciasca)
  • Comparing the neuropsychological performance after a intervention procedure on children with ADHD (A. N. Simao, S. M. Ciasca)  
  • Executive Functions in students with developmental dyslexia (C. A. Salgado, R. F. Lima, S. Ciasca)  Link: http://www.slan.org/2010/05/executive-functions-in-students-with-developmental-dyslexia/
  • Emotional symptoms in patients in conflict with the law (C. Moraes, A. L. Moreno, C. Abujadi,S. M. Ciasca)
  • Effect of lesion on learning and academic skill in childhood stroke (S. D. Rodrigues, S. M. Ciasca, M. V. Moura-Ribeiro)
  • Working memory in children with brain damage (S. D. Rodrigues, S. M. Ciasca, M. V. Moura-Ribeiro) .

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 JORNAL

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Programa de computador ajuda criança com dislexia

MARÍLIA ROCHA
DE CAMPINAS

Fonte: Folha.com (21 de abril de 2012)

Um programa para ajudar crianças com dislexia a melhorar o desempenho em leitura e escrita foi desenvolvido por uma pesquisadora da Unicamp e poderá ser usado em sala de aula. O objetivo é estimular a relação entre sons, imagens e palavras.

A dislexia é um transtorno de aprendizagem causado por dificuldade acima do comum para ler e escrever. Segundo a Associação Brasileira de Dislexia, até 7% das crianças em idade escolar têm o transtorno.

Em sua tese de doutorado, a fonoaudióloga Cintia Alves Salgado Azoni formulou um software e desenvolveu o que chamou de Prefon (Programa de Remediação Fonológica).

Participaram da pesquisa 62 crianças, divididas em três grupos: 17 diagnosticadas com dislexia fizeram as atividades do programa; outras 14 com o transtorno não fizeram e 31 sem o problema serviram como grupo-controle.

Após seis meses de sessões semanais, as que utilizaram o Prefon mostraram mais rapidez para nomear cores ou imagens (o tempo caiu de um minuto e meio para 40 segundos, em média) e melhora no nível de leitura.

“No início, algumas crianças dos dois grupos com dislexia só reconheciam as letras, sem conseguir juntá-las. Depois de passar pelo programa, houve quem passou a ler, enquanto algumas das que não participaram da intervenção ainda estavam apenas reconhecendo letras”, conta Azoni.

Segundo ela, depois das pesquisas as outras 14 crianças com dislexia também tiveram acesso ao programa.

Os exercícios do software não chegam a exigir escrita das crianças, mas envolvem atividades que são pré-requisitos para a alfabetização.

Diante de imagens de cor vermelha, amarela, verde e azul, por exemplo, uma criança sem dislexia pode levar 30 segundos para falar os nomes de cada uma em sequência. Com dislexia, o tempo pode dobrar, e os erros são mais frequentes (como chamar vermelho de verde).

“Não é só isso que mostra dislexia, mas se a criança segue com muitas dificuldades nessa área, ou não consegue identificar rimas ou guardar a ordem de sons de uma palavra, terá maiores problemas para se alfabetizar”, disse a pesquisadora.

“Com o software, as crianças se mostraram mais motivadas, e o trabalho do profissional pode ser agilizado.”

ESTÍMULO

Para Cinthia Wilmers de Sá, fonoaudióloga da Associação Brasileira de Dislexia, ferramentas como esse software têm papel fundamental na melhoria das habilidades da criança.

“Ninguém deixa de ser disléxico, mas pode desenvolver estratégias que vão dar a essa pessoa uma condição plena de vida de acordo com o estímulo que recebe”, disse.

“Numa era em que tecnologia é preponderante, com certeza essa ferramenta [o Prefon] pode trazer maior interesse e estímulo às habilidades das crianças, mas não se deve restringir o trabalho só ao computador”, avalia Sá.

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Software melhora leitura e escrita de criança disléxica

Fonoaudióloga desenvolve programa que pode ser usado em qualquer computador

Jornal da Unicamp. Reportagem de Edimilson  Montalti (9 a 15 de abril de 2012)

Pesquisa realizada pela fonoaudióloga Cíntia Alves Salgado Azoni no laboratório de Distúrbios de Aprendizagem e Transtornos da Atenção (Disapre), da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, resultou no desenvolvimento do Programa de Remediação Fonológica (Prefon) para melhorar o desempenho da leitura e escrita em crianças com dislexia.

Trata-se de um software utilizado como ferramenta de comunicação que funciona em qualquer computador. Os resultados foram tão positivos, conforme descritos na tese de doutorado “Programa de remediação fonológica, de leitura e escrita em crianças com dislexia do desenvolvimento”, que Cintia solicitou à Agência de Inovação Inova Unicamp a proteção da tecnologia por meio de registro de programa de computador. A tese foi orientada pela neuropsicóloga e coordenadora do Disapre, Sylvia Maria Ciasca.

As queixas de dificuldades de aprendizagem são comuns na infância e adolescência e motivam grande parte dos encaminhamentos por professores aos profissionais da saúde, com objetivo de avaliação, diagnóstico e intervenção. Em 1968, a World Federation of Neurology utilizou o termo dislexia do desenvolvimento para definir um transtorno manifesto por dificuldades na aprendizagem da leitura, apesar da instrução convencional, inteligência adequada e oportunidade sociocultural.

O comprometimento da aprendizagem em crianças com dislexia relaciona-se principalmente a alterações de linguagem decorrentes de déficits no processamento da informação fonológica, acarretando atraso na aquisição e desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita. Assim, a criança com dislexia encontrará dificuldade, principalmente na escola, onde permanece boa parte de seu tempo.

As principais características observadas nestas crianças são: dificuldades na velocidade de nomeação de material verbal e memória fonológica de trabalho; dificuldades em provas de consciência fonológica (rima, segmentação e transposição fonêmicas); nível de leitura abaixo do esperado para idade e nível de escolaridade; escrita com trocas fonológicas e ortográficas; bom desempenho em raciocínio aritmético; nível intelectual na média ou acima da média; déficits neuropsicológicos em funções perceptuais, memória, atenção sustentada visual e funções executivas.

O Prefon traz estratégias de linguagem nas quais a criança com dislexia tem maior dificuldade como, por exemplo, a rima. Por ser o computador um atrativo motivador, foi feita uma parceria com alunos de mestrado do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp para o desenvolvimento dos paradigmas das atividades por meio de jogos para manter a atenção e o desempenho da criança.

Participaram deste estudo 62 crianças, divididas em três grupos. O primeiro, com 17 crianças com dislexia, foi submetido ao programa de remediação. O segundo grupo de crianças, também com dislexia, não foi submetido ao Prefon. O terceiro, denominado de controle, foi composto por 31 crianças sem dificuldades de aprendizagem. As crianças do primeiro grupo passaram pelas etapas de pré-testagem, treino e pós-testagem. O programa de remediação foi realizado em 20 sessões.

A avaliação mostrou melhora significativa no tempo de nomeação automática rápida, em consciência fonológica, na velocidade de leitura e habilidades de escrita. Muitos pais também relataram aumento do interesse dos filhos pela leitura, que antes não existia.
“O software tem atividades que podem ser utilizadas com uso de palavras do contexto cultural da criança. Pretendo fazer outras versões do programa para professores e pedagogos”, disse Cíntia. Segundo a fonoaudióloga, há também possibilidade do programa ser disponibilizado online na internet. O foco é a inclusão digital.

Segundo o neuropsicólogo Ricardo Franco de Lima, os disléxicos apresentam também dificuldades em outras habilidades cognitivas, como a atenção e funções executivas. A atenção, segundo Ricardo, é a capacidade do indivíduo em selecionar no ambiente interno ou externo o que é mais relevante.

As funções executivas se referem a um conceito multidimensional que envolve as habilidades cognitivas de áreas frontais do cérebro, como controle inibitório, flexibilidade mental, planejamento e uso de estratégias. Elas são ativadas quando o indivíduo tem que realizar qualquer atividade com um objetivo, como por exemplo, montar um quebra-cabeça.

Lima é autor de dissertação, apresentada no ano passado, que revela que crianças com dislexia são mais propensas a ter depressão. O estudo avaliou 61 crianças com idade entre 7 e 14 anos, dividas em dois grupos: um com diagnóstico de dislexia e outro sem dificuldades de aprendizagem.

“As crianças com dislexia relataram maior frequência de sintomas depressivos que crianças sem dificuldades, como avaliação negativa do próprio desempenho, sentimentos de culpa, ideação suicida, sentimentos de preocupação, dificuldades para dormir, problemas nas interações sociais na escola e comparação de seu desempenho com o de seus pares”, disse Ricardo.

Referência, Disapre promove fórum

De 2006 a 2009, foram encaminhadas por ano 2.300 crianças com queixas de dificuldades de aprendizagem ao laboratório de Distúrbios de Aprendizagem e Transtornos da Atenção (Disapre) da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. Desse total, apenas 1,7% foi diagnosticada com os quadros de dislexia do desenvolvimento ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O primeiro relato de TDAH ocorreu no século XIX, descrito pelo médico inglês Still. O TDAH manifesta-se por alterações na atenção e no comportamento (hiperatividade e impulsividade) que não são explicadas por outros transtornos ou problemas psicossociais em crianças.

Segundo Sylvia Maria Ciasca, casos de dislexia e TDAH são raros e o diagnóstico não é simples. No Disapre, a criança ou adolescente passa por avaliações neuropsicológica, neurológica, psiquiátrica, psicopedagógica, fonoaudiológica e psicomotora. Além disso, são obtidas informações com a família e contato com a escola para levantar dados relevantes sobre o desenvolvimento escolar da criança. Com um diagnóstico bem feito, a equipe indica as melhores formas de intervenções terapêuticas e tratamento.

“Nós recebemos um grande número de crianças com diagnósticos falso-positivos a partir de questionários respondidos por pais e/ou professores. O diagnóstico deve ser feito por uma equipe interdisciplinar e não em 15 minutos de consulta. No caso do TDAH, somente depois de muitas avaliações é que chegamos à conclusão sobre o melhor procedimento interventivo, geralmente psicoterapêutico, medicamentoso e apoio educacional. Somente a medicação não garantirá a eficácia terapêutica”, alertou Sylvia.

No dia 12 de abril, no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, acontece o fórum “Dislexia e TDAH: Evidências científicas”. O evento será realizado pelo Disapre e conta com o apoio e participação de representantes das Associações Brasileiras de Psiquiatria, de Dislexia, de Neurologia e Psiquiatria Infantil, de Psicopedagogia, do Déficit de Atenção e Sociedades Brasileiras de Fonoaudiologia, de Pediatria, de Neuropsicologia e de Neurologia Infantil. Além disso, estarão presentes representantes de instituições e serviços públicos que mantêm atendimentos às crianças e adolescentes com dislexia e TDAH.

De acordo com Sylvia, na atualidade torna-se cada vez mais importante a discussão a respeito destes temas. O TDAH é um transtorno neuropsiquiátrico causado por uma falha de neurotransmissão em determinadas áreas cerebrais. Em 2011, mais de 1.300 trabalhos científicos foram publicados em revistas especializadas nacionais e internacionais. O TDAH é um quadro grave que evolui em 80% dos casos para a idade adulta. Porém, quando bem diagnosticado, a intervenção garante a melhora na qualidade de vida destes indivíduos.
“O diagnóstico cumpre função específica e não deve ser classificatório ou estigmatizante. Serve para direcionar qual tipo de intervenção a ser feita, evitando até outros comprometimentos que essa criança possa vir a ter e levar para a fase adulta, como a depressão”, explicou Ricardo.

O objetivo principal do Fórum será reunir especialistas de renome para buscar instrumentos mais fidedignos de diagnóstico, tratamento e intervenção, visando, principalmente, revisar a formação de profissionais que lidam com os problemas.

“TDAH e dislexia são transtornos. Há excesso de medicalização em razão de diagnósticos incorretos. No entanto, toda a moeda tem duas faces e elas precisam ser vistas. A maioria das crianças atendidas no Disapre, por exemplo, tem dificuldade escolar e isto é um problema pedagógico e não neuropsiquiátrico”, reforçou Sylvia.

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Dislexia amplia os riscos de depressão em crianças

Estudo da Unicamp revela impactos emocionais da dificuldade no aprendizado

16/08/2011 – 08h43 . Atualizada em 16/08/2011 – 08h49

o neuropsicólogo Ricardo Franco de Lima aplica teste em criança: acompanhamento é fundamental em casos de dislexia na infância
(Foto: Augusto de Paiva/AAN)
Crianças com o diagnóstico de dislexia têm mais chances de desenvolver os sintomas de depressão. É o que aponta o estudo desenvolvido pelo neuropsicólogo Ricardo Franco de Lima, apresentado no Departamento da Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Caracterizado pela disfunção no sistema nervoso central decorrente de uma falha no processamento das informações, o transtorno é identificado em 2% dos 350 pacientes atendidos todos os anos no Laboratório de Pesquisa em Dificuldades, Distúrbios de Aprendizagem e Transtorno de Atenção (Disapre). Durante três anos, o pesquisador estudou um grupo de 61 crianças com idades entre 7 e 14 anos. “Elas foram divididas em dois grupos: 31 crianças com diagnóstico interdisciplinar de dislexia do desenvolvimento, avaliadas no Ambulatório de Neuro-Dificuldades de Aprendizagem do Hospital de Clínicas da Unicamp, e 30 crianças sem dificuldades de aprendizagem, avaliadas em uma escola pública da cidade de Campinas”, explica. De acordo com Lima, a proposta do estudo se baseou em pesquisas internacionais que indicam que os indivíduos com dislexia ou com outros transtornos de aprendizagem são mais vulneráveis para o desenvolvimento de sintomas emocionais e de conduta.
A partir de diferentes instrumentos neuropsicológicos e psicológicos, o pesquisador avaliou sintomas depressivos e de conduta, além de diferentes funções cognitivas, como inteligência e atenção.

“Quando comparamos os grupos estudados, os resultados nos mostraram que houve diferenças significativas entre os grupos nos diferentes instrumentos utilizados. Também foram observadas correlações entre os sintomas depressivos o desempenho atencional e executivo, isto é, quanto mais sintomas depressivos, maior o prejuízo cognitivo”, afirmou.

Sintomas


De acordo com o estudo, as crianças com dislexia apresentaram repercussões emocionais, em função das dificuldades vivenciadas na escola.

“Isso quer dizer que o transtorno de aprendizagem constitui uma condição de risco. Por outro lado, crianças que possuem condições adequadas em seus contextos familiar, social e escolar são menos propensas a essas repercussões emocionais. Dessa maneira, uma somatória de fatores desencadeiam sintomas emocionais e de conduta que podem levar ao desenvolvimento de um transtorno psicológico, como a depressão”, ressalta Lima.

Entre os sintomas depressivos observados nas crianças com dislexia estavam sentimentos de culpa e preocupação, dificuldades para dormir, fadiga constante, problemas nas relações interpessoais, comparação de seu desempenho com o dos colegas, além do humor deprimido e sensação de inferioridade.

Lima esclarece que alguns fatores podem determinar maiores condições de sofrimento para as crianças com o transtorno, como a severidade da dislexia, sua associação com outras dificuldades, o diagnóstico tardio, situações repetidas de exclusão escolar e baixas condições de suporte para suas dificuldades.

Drama


Questionada a respeito de sua dificuldade, o estudante do 4° ano do Ensino Fundamental, M.B.F, de 10 anos, diz: “É ruim. Meus colegas escrevem os textos todos certos e eu escrevo tudo errado. Sinto-me menos inteligente do que eles”. K.G.S, de 12 anos, também demonstra tristeza quando fala dos problemas que enfrenta na sala de aula e com os colegas. “Tiram sarro de mim. Dizem que vou repetir de ano. Fico com raiva e conto para professora. Quando estão me irritando, eu bato neles”, diz.

O pesquisador ressalta que nem todos os indivíduos com dislexia desenvolverão algum transtorno psicológico secundário. “Apenas consideramos que esta condição é de risco e de vulnerabilidade, uma vez que o disléxico passa por mais situações de fracasso escolar.”

Parte do estudo de Lima será publicado no livro Dyslexia and Mental Health: investigations from differing perspectives, organizado pelo pesquisador inglês, que possui dislexia, Neil Alexander-Passe.

Ajuda especializada minimiza o problema

Por se tratar de um transtorno, não há tratamento para a dislexia, mas uma intervenção, com ajuda de especialistas, deve ser feita o mais rápido possível para que os resultados sejam melhores. “É preciso que os pais e educadores estejam atentos para as consequências emocionais do distúrbio na criança e ofereçam melhores condições de suporte e manejo das dificuldades que ela vivencia na escola”, afirma o neuropsicólogo Ricardo Franco de Lima, que apresentou o estudo na Unicamp. A principal intervenção é fonoaudiológica, uma vez que se trata de uma dificuldade relacionada à linguagem. São utilizados programas de remediação fonológica que visam minimizar os déficits apresentados pela criança e potencializar suas habilidades de modo que ela possa construir novas estratégias para a realização da leitura e escrita. Campinas conta com dois centros para diagnóstico do problema e intervenção especializada. São eles o Ambulatório de Neuro-Dificuldades de Aprendizagem do Hospital de Clínicas da Unicamp, coordenado pela professora Sylvia Maria Ciasca e o Centro de Investigação da Atenção e Aprendizagem (CIAPRE), coordenado por Cíntia Alves Salgado-Azoni. Na Capital paulista ainda há a Associação Brasileira de Dislexia (ABD).

O especialista alerta que, em outras regiões, é importante a procura por profissionais que sejam capacitados para o diagnóstico e também para fazer a intervenção necessária. “Devem ser profissionais das áreas de fonoaudiologia, psicologia, neuropsicologia e psicopedagogia. Além disso, as intervenções devem buscar ações que articulem não só o desenvolvimento da criança, mas também orientações para os pais e estratégias de manejo escolar”, explica Lima. (IM/AAN)

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CRIANÇA DISLÉXICA É MAIS SUSCETÍVEL A TER DEPRESSÃO, CONCLUI DISSERTAÇÃO

Risco de ingressar na fase adulta com algum transtorno psicológico também é maior

JORNAL DA UNICAMP

RAQUEL DO CARMO SANTOS

Crianças com o diagnóstico de dislexia são mais propensas a desenvolver sintomas depressivos, assim como também possuem maior risco de passar para a fase adulta com um transtorno psicológico se a busca por ajuda for demorada. O alerta é do neuropsicólogo Ricardo Franco de Lima, que avaliou 31 crianças com o diagnóstico de dislexia e comparou os resultados com outras 30 crianças sem nenhum tipo de problema e que frequentavam uma escola pública de Campinas.

“Em geral, os grupos envolvidos na questão não atentam para este tipo de avaliação, mas ignorar estes aspectos no tratamento da dislexia pode acarretar consequências emocionais graves, inclusive fazer com que o transtorno permaneça ao longo dos anos”, evidencia.

O estudo apontou ainda uma relação entre os sintomas depressivos e as funções cognitivas de atenção e executivas, ou seja, de acordo com a intensidade da depressão será o comprometimento cognitivo. Por isso, do ponto de vista clínico e educacional, os resultados da pesquisa indicam a necessidade de avaliação e intervenção nesta área, de modo a minimizar o sofrimento da criança com dislexia na escola.

As crianças estudadas tinham entre sete e 14 anos de idade, sendo que o grupo com dislexia foi atendido no Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp durante três anos. O neuropsicólogo explica que lançou mão de diversos instrumentos utilizados em pesquisas internacionais para chegar às conclusões da dissertação de mestrado apresentada na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e orientada pelas professoras Sylvia Maria Ciasca e Cíntia Alves Salgado-Azoni.

Segundo Ricardo Lima, o acompanhamento das crianças no Laboratório de Pesquisa em Dificuldade, Distúrbios de Aprendizagem e Transtornos de Atenção do Ambulatório de Neuro-dificuldades de Aprendizagem é feito por equipe interdisciplinar, da qual ele faz parte. A criança passa por avaliações com fonoaudiólogos, neurologistas, psiquiatras, psicopedagoga, fisioterapeuta e psicólogos para que o diagnóstico seja feito de maneira cautelosa. “Quando a criança chega com a hipótese, só na minha área são realizadas seis sessões de uma hora para observar o paciente. Após avaliações de todos os membros da equipe é que a hipótese se confi rma ou não”, esclarece Lima.

Um exemplo é que, dos casos atendidos anualmente no HC, em apenas aproximadamente 2% o diagnóstico é confirmado. Essas crianças muitas vezes, afi rma o neuropsicólogo, possuem apenas uma difi culdade escolar de ordem pedagógica e não um distúrbio relacionado ao Sistema Nervoso Central que leva a criança a desenvolver um déficit no aprendizado. Conforme definições internacionais no transtorno específico de aprendizagem, a criança apresenta comprometimento na aquisição e desenvolvimento da linguagem escrita. No entanto, ele chama a atenção para as avaliações dos sintomas emocionais, uma vez que o estudo indicou a vulnerabilidade das crianças disléxicas, justamente pelas dificuldades apresentadas na escola.

As crianças sempre relatam sentimentos de que não conseguem vencer as suas limitações, se sentem inferiores em relação às outras, comparando o seu desempenho com o de seus pares. Em alguns casos podem até apresentar humor deprimido e ideias suicidas. “Os pais precisam estar atentos a esta questão e se munir de conhecimento para lidar com a situação”, alerta o neurospsicólogo.

 Outra vertente do estudo proposto por Ricardo Lima diz respeito à avaliação da atenção e das funções executivas das crianças com dislexia. São elas: estratégias cognitivas, controle inibitório, planejamento mental, memória de trabalho, fluência verbal e flexibilidade mental. Em todas as habilidades, as crianças disléxicas apresentaram alterações significativas, o que ajuda a compreender que outros défi cits acompanham a alteração no componente fonológico da linguagem, problema central da dislexia.

■ PublicaçãoDissertação: Sintomatologia depressiva e funções corticais em crianças com dislexia do desenvolvimento
Autor: Ricardo Franco de Lima
Orientadora: Sylvia Maria Ciasca
Unidade: Faculdade de Ciências Médicas (FMC)
Financiamento: CNPq

Fonte: Jornal da Unicamp – Campinas, 8 a 14 de agosto de 2011 – ANO XXV – Nº 501

Link: http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/agosto2011/ju501_pag8.php#

http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/agosto2011/ju501pdf/Pag08.pdf

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DISGRAFIA AFETA RENDIMENTO ESCOLAR

Estudantes portadores do distúrbio têm escrita abaixo do nível esperado para a idade cronológica

JORNAL CORREIO POPULAR – digital 

Inaê Miranda
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
inae.miranda@rac.com.br
Garranchos no papel, escrita além da margem do caderno e dificuldade para escrever podem ser indicadores de um distúrbio da aprendizagem denominado disgrafia. O problema é melhor identificado em crianças de 9 a 10 anos e atinge uma média de 4% da população com transtorno de aprendizagem. Grande parte dos disgráficos apresentam baixo rendimento escolar e são considerados desatentos ou desleixados pelos pais ou professores.

Os especialistas consideram como principais características da disgrafia a dificuldade para escrever, a escrita marcada por junção de letras maiúsculas e minúsculas, a mistura de letra de forma e cursiva, letras muito juntas ou incompletas, dificuldade ou lentidão para realizar cópias, falta de respeito à margem do caderno e emprego de muita força na mão no momento da escrita que comprometem a caligrafia.

“Quando há esses indícios, é importante que se busque a intervenção o mais precocemente possível de modo a amenizar o problema da caligrafia”, afirmou Sônia das Dores Rodrigues, doutora em Ciências Médicas pela Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisadora do Laboratório de Distúrbios e Dificuldades da Aprendizagem e Transtornos da Atenção (Disapre) da Unicamp.

A disgrafia pode ser adquirida por lesão ou ser resultado de uma disfunção no Sistema Nervoso Central (SNC). Para alguns especialistas, enquanto a lesão resulta em perda de habilidades anteriormente adquiridas, a disfunção resulta no desenvolvimento anormal da habilidade de escrever. “A disgrafia de enfoque funcional começa a ter maior consistência a partir do início da escolarização. A habilidade de escrita vai ficando abaixo do nível esperado para a idade cronológica”, afirmou a neuropsicóloga e coordenadora do Disapre, Sylvia Maria Ciasca. Segundo a pesquisadora, a disgrafia é o segundo maior transtorno da aprendizagem, perdendo apenas para a dislexia — a falta de habilidade na linguagem que se reflete na leitura.

De acordo com Sylvia Ciasca, na maioria das vezes, a disgrafia interfere no desempenho acadêmico do aluno. “A criança disgráfica tem o desenvolvimento intelectual normal, no entanto, ela é incapaz de produzir uma escrita culturalmente aceitável e isso acaba interferindo em toda a sua produção e aproveitamento acadêmico”, afirmou.

Alguns estudos atribuem a causa da disgrafia a fatores sociais, emocionais ou a atrasos no desenvolvimento psicomotor. Para Sônia das Dores Rodrigues, o distúrbio de aprendizagem independe de classe social, mas o problema pode piorar se não houver intervenção. “Como se trata de uma disfunção do Sistema Nervoso Central, a disgrafia pode atingir todas as classes e se a criança não recebe a devida estimulação, independente de classe social, o problema vai se agravar”, afirmou.

Sylvia Maria Ciasca, coordenadora do Disapre: disgrafia é o segundo maior transtorno de aprendizagem (Foto:Estevam Scuoteguazza/AAN)

Rendimento

Depois de receber em sua turma do 5º ano um aluno reprovado duas vezes, a professora Rute Braz de Almeida começou a acompanhar o trabalho do estudante, de 12 anos, mais de perto e notou características de distúrbio da aprendizagem. “Além do baixo rendimento escolar, percebi vários sinais nele que indicavam disgrafia, como letra muito junta ou retocada, demora para escrever e queixa de dores no braço. Às vezes, nem ele conseguia entender o que havia escrito, o que o prejudicava em todas as disciplinas, porque dificultava na hora da correção de suas provas.” Mesmo sem o diagnóstico de especialistas, a professora faz trabalhos com o estudante para amenizar o problema e já percebe melhoras. “De imediato, orientei a mãe a procurar um neurologista e um psicólogo para analisarem o problema e apontar um diagnóstico mais preciso. Faço trabalhos de memorização, passo exercícios de caligrafia e tento trabalhar sua autoestima. Hoje, já consigo decifrar melhor o que ele escreve e percebo que o rendimento dele também está aumentando”, afirmou a professora Rute.

De acordo com as pesquisadoras Sylvia Ciasca e Sônia Rodrigues, o problema é sério e os pais e professores devem ficar atentos, mas, por se tratar de um distúrbio da aprendizagem que não é tão comum e envolve uma série de fatores, o diagnóstico mais consistente de disgrafia deve ser dado apenas por uma equipe de profissionais de diferentes áreas. “Um único profissional não pode dar o diagnóstico de disgrafia. É preciso meses de testes e avaliações e, dentro de cada área, os especialistas fazem testes específicos para identificar o problema”, afirmou Sylvia Ciasca.

Laboratório da Unicamp auxilia jovens 

De acordo com especialistas, não existe cura para a disgrafia, mas o problema pode ser remediado. “Existem métodos que melhoram as características motoras e tônico-posturais da criança, como relaxamento psicomotor; reeducação gestual, visuomotora, grafomotora, da letra, além de exercícios de aperfeiçoamento, mas tudo isso vai amenizar o problema e tornar a escrita mais legível”, afirmou Sônia Rodrigues.

No Laboratório de Distúrbios e Dificuldades da Aprendizagem e Transtornos da Atenção (Disapre) da Unicamp, a criança passa por triagem e é encaminhada para uma equipe que conta, entre outros profissionais, com neuropsicólogo, psiquiatra infantil, psicólogo, psicopedagogo, neuropediatra, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. O caso é discutido e um parecer é emitido e encaminhado para a escola com possíveis sugestões de como lidar com o aluno. “A criança sempre sai daqui com um diagnóstico pronto, confirmando ou negando transtorno da aprendizagem ou da atenção”, afirmou Sylvia Ciasca.

O Disapre conta com 20 especialistas em transtornos da aprendizagem e faz uma média de 2,3 mil atendimentos por ano. O serviço atende crianças encaminhadas por profissionais de outros ambulatórios do Hospital de Clínicas da Unicamp, escolas públicas e particulares ou através de serviços de saúde da rede pública ou particular da região metropolitana da cidade de Campinas, demais cidades do Estado de São Paulo e Sul de Minas Gerais. (IM/AAN)

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DISLEXIA: COMO TRABALHAR COM ELA?

Entrevista com Dra. Sylvia Maria Ciasca  no Portal do Professor – MEC.

Link: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/noticias.html?idEdicao=18&idCategoria=8

 

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UM PROGRAMA PARA CRIANÇAS COM DISLEXIA

JORNAL DA UNICAMP 

A fonoaudióloga Cíntia Alves Salgado: programa de remediação fonológica em escolares (Foto: Antoninho Perri/Neldo Cantanti)No início do segundo semestre do ano letivo, a professora de Lucas anunciara que dificilmente ele estaria apto a prosseguir na terceira série do Ensino Fundamental. Aos nove anos de idade, ele repetiu duas vezes a primeira série e já estava com a segunda comprometida. O diagnóstico não estava fechado, pois seriam necessárias diversas avaliações por profissionais da área, mas era bem possível que Lucas sofresse de uma disfunção neurológica que acomete de 5 a 10% da população brasileira infantil: a dislexia do desenvolvimento. A característica principal do distúrbio é basicamente a dificuldade de aprendizagem na leitura e na escrita, pois a criança não consegue converter o som que recebe para a escrita. “É uma disfunção que não se cura com medicamentos. A intervenção é clínica e são necessárias diversas sessões terapêuticas. Muitos pais procuravam o Hospital das Clínicas da Unicamp (HC) para avaliação e, após o diagnóstico, não sabiam como proceder. O tratamento é oferecido apenas na esfera particular e isso me angustiava”, explica a fonoaudióloga Cíntia Alves Salgado.

A partir de sua experiência, na prestação de serviços no Ambulatório de Neuro – Dificuldades de Aprendizagem do Hospital das Clínicas, Cíntia decidiu adaptar um programa espanhol de remediação fonológica em escolares com dislexia. Com o apoio dos profissionais do Ambulatório e por meio de avaliação da equipe interdisciplinar, a fonoaudióloga tratou clinicamente 12 crianças com a disfunção. “Os resultados foram extremamente positivos”, comemora. A leitura com compreensão das crianças melhorou muito, e aqueles escolares que, no início, conseguiam apenas escrever palavras isoladas, passaram a redigir frases inteiras.

Para controlar melhor as avaliações, Cíntia também aplicou a metodologia em escolares sem dificuldade de aprendizagem. Durante cinco meses, uma vez por semana, a fonoaudióloga desenvolveu atividades com as crianças. “No pré-teste, os grupos tiveram resultados das avaliações diferentes. Como era de se esperar, o grupo de crianças com disfunção teve desempenho inferior. Mas, quando foram aplicados os testes ao final das sessões terapêuticas, o desempenho dos dois foi semelhante”, avalia Cíntia.

A idéia é que o trabalho gratuito implantado pelo Ambulatório seja expandido. “Existem muitos outros casos diagnosticados e que, por dificuldades financeiras, acabam ficando sem tratamento”, esclarece. O relato de sua experiência, bem como os resultados alcançados constam de sua dissertação de mestrado “Programa de remediação fonológica em escolares com dislexia do desenvolvimento”, apresentada na Faculdade de Ciências Médicas, sob orientação da professora Simone Aparecida Capellini.

Link: http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/jornalPDF/ju301pg08.pdf

Veja a dissertação completa na página “Publicações”

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AVC NA INFÂNCIA COMPROMETE EVOLUÇÃO COGNITIVA, DIZ ESTUDO

JORNAL DA UNICAMP 

Raquel do Carmo Santos

A pedagoga Sonia das Dores Rodrigues (Foto: Antoninho Perri)

Estudo desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) detectou comprometimento na aprendizagem de crianças acometidas por acidente vascular cerebral (AVC). Em avaliação realizada pela pedagoga Sonia das Dores Rodrigues com 35 crianças atendidas no Laboratório de Pesquisa em Doença Cerebrovascular da Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas, constatou-se prejuízo neste grupo de crianças em todas as provas e testes utilizados. Seis destas crianças, inclusive, apresentaram grave comprometimento intelectual e não responderam a nenhum tipo de teste cognitivo.

“Até o final da década passada a idéia passada pela literatura era que o AVC na faixa etária pediátrica teria bom prognóstico. Estudos mais recentes, no entanto, vêm demonstrando que a evolução cognitiva da criança pode ser afetada pelo insulto cerebrovascular. Analisando-se os resultados do grupo, verificamos que, independentemente do tipo de AVC, houve prejuízo do desenvolvimento cognitivo, da memória de curto prazo e das habilidades básicas de escrita, leitura e aritmética”, explica Sônia.

A tese de doutorado, defendida na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e orientada pela professora Sylvia Maria Ciasca, aponta para a importância do rápido encaminhamento dessas crianças para avaliação e reabilitação cognitiva. A defasagem no processo de aprendizagem, segundo Sonia, não é contemplada na avaliação geral do paciente pediátrico que teve AVC. Em geral, apenas a recuperação motora e a linguagem são privilegiadas, possivelmente porque os sinais são mais evidentes.

O estudo, neste sentido, procura chamar a atenção para o aspecto preventivo, já que muitas vezes a defasagem na aprendizagem só será identificada quando a criança iniciar o processo de alfabetização. “Quanto mais precoce for o diagnóstico da defasagem cognitiva e da intervenção psicopedagógica, mais chances a criança terá de eliminar, ou ao menos minimizar, os efeitos decorrentes da dificuldade no processo de aprendizagem”, esclarece a pedagoga.

O AVC na infância é tido como doença rara, se comparada à incidência nos adultos. A taxa é de aproximadamente 1,29 a 3 casos por 100 mil crianças por ano, enquanto entre adultos é de 3 a cada 10 mil habitantes/ano. A pesquisa desenvolvida por Sonia Rodrigues só foi possível graças ao trabalho desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em AVC na Infância e Adolescência, coordenado pela professora Maria Valeriana Leme Moura Ribeiro. O grupo atende crianças com diagnóstico de doença cerebrovascular a partir de um enfoque multidisciplinar. A equipe é composta por neurologistas, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psicólogo e pedagogo.

Fonte: JORNAL DA UNICAMP. Campinas, 8 a 14 de setembro de 2008 – ANO XXIII – Nº 409

http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/setembro2008/ju409_pag8a.php

Veja a tese completa na Página “Publicações”

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